‘The last of us part 2’ questiona moralidade em distopia: ‘Herói é questão de perspectiva’, diz diretor | Games

‘The last of us part 2’ questiona moralidade em distopia: ‘Herói é questão de perspectiva’, diz diretor | Games

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Nada é simples e direto no mundo de “The last of us part 2”, um dos games mais aguardados do ano, que vai ser lançado com exclusividade no PlayStation 4 nesta sexta-feira (19).

A continuação expande a história de seu antecessor, que é considerado o melhor de 2013 e que vendeu mais de 17 milhões de cópias entre suas versões para o PlayStation 3 e o 4. Com isso, reforça também seus questionamentos sobre moralidade em uma sociedade distópica.

“Tem relação com o que ‘The last of us’ é, que é lidar com personagens com defeitos, que acreditam estar certos, acreditam ser justos, pois é como as pessoas são. Ninguém acha que é o vilão. O herói é questão de perspectiva”, afirma o diretor da sequência, Neil Druckmann.

Assista ao trailer de 'The last of us part 2'

Assista ao trailer de ‘The last of us part 2’

“Part 2” começa cinco anos após o fim do primeiro jogo. Nele, os protagonistas Joel e Ellie vivem uma vida pacífica (até onde isso é possível) em uma comunidade que se une para sobreviver.

Apesar da tranquilidade, este ainda é um mundo pós-pandêmico, destruído por uma doença que transformou a maior parte das pessoas em criaturas parecidas com zumbis.

Dessa vez, os jogadores assumem o controle da jovem, agora com 19 anos. Após mais um episódio violento que acaba com a paz da região, ela parte em sua própria jornada.

“Ellie acredita estar certa ao encontrar essas pessoas que a prejudicaram, e fazer o que for necessário para levá-los à justiça, em um contexto meio ‘olho por olho'”, diz o desenvolvedor.

“Mas há algo especial nesse jogo além de falar sobre a busca por justiça e o custo que isso pode ter nos personagens ao seu redor. Também há muito sobre perspectiva e empatia, e lidar com trauma e luto.”

Ellie em ‘The last of us part 2’ — Foto: Divulgação

Rivalidade com o mundo real

Os reflexos na pandemia do mundo real vai além da similaridade dos temas. Com o isolamento social, a última fase do desenvolvimento teve de ser feita no esquema de home office, e o lançamento chegou a ser adiado mais de uma vez — assim como outras grandes produções.

Nesse tempo, o estúdio Naughty Dog ainda teve de enfrentar mais um problema. No final de abril, o vazamento de diversos vídeos revelou pontos cruciais da trama.

Para a realização da entrevista da qual o G1 participou com outros dois veículos, a orientação foi de que Druckmann não falaria sobre os dois assuntos.

Na época, a empresa lamentou o episódio.

“Sabemos que os últimos dias foram incrivelmente difíceis para vocês. Nós nos sentimos da mesma forma. É desapontante ver o lançamento e compartilhamento de cenas do desenvolvimento do jogo. Façam o melhor para evitar spoilers e pedimos para que não espalhem para os outros.”

Com um foco tão grande na história e em seus temas, o estúdio abraçou a missão de abrir o game a todos os tipos de jogadores, ao mesmo tempo em que mantinha o desafio e a tensão.

“Um dos nossos mantras na Naughty Dog é que queremos que nossos jogos sejam o mais acessível o possível para o maior número de pessoas”, diz o diretor.

Com isso, o jogo disponibiliza um sistema com mais de 60 diferentes configurações que podem ser ajustadas a qualquer momento, com contraste mais alto para pessoas com deficiências visuais ou pistas em áudio para aqueles com deficiências auditivas.

“Acreditamos na história que queremos contar, então pensamos em como fazer para que o maior número de pessoas possam vivê-la. É importante jogar, não apenas assistir.”

Ellie em ‘The last of us part 2’ — Foto: Divulgação

Para ajudá-lo a desenvolver a trama, Druckmann convocou uma roteirista da televisão. Mesmo sem ter trabalhado em um jogo antes, Halley Gross tinha experiência em lidar com distopias depois de escrever episódios de “Westworld”, série da HBO que lida com uma outra forma de jogos e futuro.

Com ela, o diretor/roteirista buscou manter os personagens fiéis a sua natureza, ao mesmo tempo em que explorava a complexidade dessa realidade destruída, equilibrando os temas com um jogo que ainda fosse divertido.

“Esse mundo nos permite construir um cenário no qual podemos pensar todas essas mecânicas, o tamanho dos cenários, e construir uma cidade realista como Seattle, na qual há algo familiar e ao mesmo tempo algo meio errado. Porque mesmo que seja linda, a natureza crescida, ela representa a morte”, diz ele.

“Então há essa dualidade legal entre beleza e escuridão que existe nesse mundo, assim como há nas pessoas que sobreviveram. E todas essas coisas são feitas em serviço da imersão em um mundo e levá-lo a uma jornada emocional, que, com esperança, vai te obrigar a fazer perguntas interessantes”, afirma o desenvolvedor.

“Sempre foi importante para gente, nos dois jogos, não pregar. O jogo apresenta questões filosóficas. Mesmo que os personagens tenham opiniões fortes a respeito, o game não o faz. Ele quer te desafiar, como jogador, a pensar como agiria nessa situação, como se sentiria.”

Ellie em ‘The last of us part 2’ — Foto: Divulgação



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