O DVD voltou? Como a nostalgia pode atenuar a crise causada por cinemas fechados | Cinema

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A nostalgia da quarentena ressuscitou mais um hábito antigo: os filmes em DVD e Blu-ray. Produtoras e distribuidoras de cinema investem como podem no relançamento de grandes sucessos dos últimos anos para tentar salvar as contas negativas dos meses sem cinemas e estreias.

Em alguns casos, a decisão foi estudada. Em outros, foi por acaso. Disney, Universal Pictures, Paramount Pictures, Imovision e Alpha Filmes decidiram voltar a produzir ou intensificar os lançamentos em mídia física nos últimos três meses, quando começou o isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus.

Mas essa é uma alternativa apenas para atenuar a crise, concordam as empresas. Para um filme dar certo em DVD na era do streaming, ele precisa ter feito sucesso nos cinemas e ter fãs dedicados.

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O maior exemplo recente de um filme que preenche esses dois requisitos é “Parasita”, vencedor do Oscar neste ano. E ele será lançado em DVD neste mês (relembre ‘Parasita’ no vídeo acima).

“Recebemos inúmeros pedidos pelas nossas redes sociais. As pessoas desejam ter o filme fisicamente. Este mês será o lançamento em DVD e no próximo mês, o Blu-ray”, conta Tina Alvarenga, diretora da Alpha Filmes.

Segundo Alvarenga, este é o único filme que pretendem lançar. “Nos últimos tempos, [essa alternativa] não se mostrou rentável. Acredito que apenas um filme premiado como ‘Parasita’ pode se sustentar assim.”

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Por coincidência, os quatro longas escolhidos por Universal e Paramount para lançamento no Brasil são de terror recente: “Corra!”, “Nós”, “Cemitério maldito” e “Halloween”.

“A escolha não foi pelo gênero. São filmes para os quais havia demanda para o lançamento no formato no Brasil, pois de perfil mais cult e de franquias ícone que os fãs adoram”, justifica Madalena Martins, relações públicas da Sony Pictures Home Entertainment. Ela distribui os títulos em mídias físicas da Paramount e Universal no Brasil.

A decisão aconteceu após uma “sensível procura pela mídia física por parte das lojas online”, segundo Martins.

A Imovision, distribuidora independente por trás de muitos lançamentos europeus, escolheu um brasileiro para ser o carro-chefe da volta do DVD e do Blu-ray: “Hoje eu quero voltar sozinho”.

A bilheteria de mais de US$ 1,2 milhão no mundo impulsionou a escolha, mas só isso não basta, segundo a empresa.

“Na época que foi lançado, vendeu mais de 200 mil ingressos, mas as pessoas têm um laço afetivo forte com o filme. Recebemos muitos pedidos para esse lançamento por que as pessoas queriam tê-lo em casa”.

Terror e franquias são apostas para DVDs e Blu-rays na pandemia — Foto: Jens Buttner/dpa-Zentralbild/dpa Picture-Alliance/AFP/Arquivo

Além desse lançamento, a distribuidora voltou a vender títulos que fizeram sucesso no Brasil. “Na primeira semana, vendemos mil [cópias]. É muito animador. Não sei se vai continuar, mas eu sei que já ganhamos essa aposta. Mantém a cumplicidade com o público e, quem sabe, a gente ganha um lucro com isso”, diz Jean Thomas Bernardini, presidente da Imovision.

“A gente percebeu que muito cinéfilo até tinha desistido de comprar. Mas achamos que pode acontecer o mesmo fenômeno dos LPs, que viraram artigos de colecionador”, completa Bernardini.

Já a Disney apostou em franquias e sequências bem-sucedidas. Desde fevereiro, lançou “Star Wars: A Ascensão Skywalker”, “Frozen 2” e “Um Espião Animal”. Até julho, têm programados “Jojo Rabbit”, “Ameaça Profunda”, “O Chamado da Floresta” e “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”.

O mercado de filmes em mídia física sofreu um primeiro baque no fim dos anos 2000 com a pirataria. Depois, no começo dos anos 2010, sofreu com o surgimento dos serviços de streaming.

Para fazer o cálculo da inflação, o IBGE tirou os DVDs e incluiu os serviços de streaming entre os hábitos das famílias no país.



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