Marisa Monte tenta fazer ‘barulhinho bom’ com edições de áudios de registros audiovisuais | Blog do Mauro Ferreira

Marisa Monte tenta fazer ‘barulhinho bom’ com edições de áudios de registros audiovisuais | Blog do Mauro Ferreira

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ANÁLISE – Volta e meia, as plataformas de streaming apresentam áudios extraídos de registros audiovisuais de shows gravados por artistas e lançados antes do mercado fonográfico entrar na era digital. Recorrentes nessa era que minimiza o valor da mídia física, tais ações já soam até corriqueiras. Mas nada soa trivial quando se trata de Marisa Monte – e isso pode ser encarado como elogio pela forma estratégica com que a artista carioca sempre conduziu a carreira iniciada em 1987.

Na quinta-feira, 11 de junho, a cantora lançou nas plataformas de streaming o áudio de 17 músicas da gravação ao vivo do show Memórias, crônicas e declarações de amor (2000), cujo registro audiovisual – feito em junho de 2001 em três apresentações do espetáculo na cidade do Rio de Janeiro (RJ) – foi lançado somente no formato de DVD naquele ano de 2001.

Ciente da força do marketing, Marisa Monte tentou fazer um barulhinho bom com a edição desses áudios, alardeando o fato de uma das 17 músicas, Acontecimento (Hyldon, 1975), ser inédita na voz da artista. Incluída pela cantora no roteiro de várias apresentações do show, a canção Acontecimento foi captada, mas excluída da seleção final do DVD.

Com a intenção de fazer um acontecimento das edições dos áudios, Marisa criou projeto intitulado Cinephonia que consiste no lançamento, em três etapas (as próximas estão programadas para 19 e 26 de junho), dos áudios de 30 músicas extraídas de gravações audiovisuais editadas em VHS e/ou DVD.

Capa do álbum ‘Memórias 2001 – Ao vivo’, de Marisa Monte — Foto: Divulgação

O álbum Memórias 2001 – Ao vivo é o primeiro título do projeto que apresenta somente os sons das imagens, com direito a um site sobre o empreendimento. Áudios da gravação de Barulhinho bom – vídeo documental com números do show derivado do álbum Verde anil amarelo cor-de-rosa e carvão (1994) – estão previstos para chegarem às plataformas até a conclusão do projeto.

“Todas estas canções têm em comum o fato de serem parte de trilhas sonoras dos meus registros audiovisuais, mas que não estavam disponíveis em áudio streaming. Escutar sem assistir transforma a relação entre o público e a música, propõe a liberdade para cada um criar suas próprias imagens”, argumenta Marisa em nota oficial sobre o projeto Cinephonia, cujo título alude ao nome do selo, Phonomotor, aberto pela cantora em 1999.

Valorizado pela engenharia de áudio de Daniel Carvalho, o projeto Cinephonia marca a estreia da parceria do selo Phonomotor com a Sony Music, gravadora com a qual Marisa assinou contrato em surpreendente ação anunciada em abril deste ano de 2020.

A edição álbum autoral de músicas inéditas – o primeiro da cantora e compositora desde O que você quer saber de verdade (2011), lançado há nove anos – ficou acertada nesse contrato. E esse aguardado disco de inéditas, sim, é o acontecimento esperado pelos seguidores da artista.

Seguidores atentos que já conhecem a forma estratégica como Marisa Monte se relaciona com as mídias sociais e que, por isso mesmo, já tinham percebido que a troca da foto da cantora nas redes sociais e nas plataformas de áudio no meio desta semana sinalizava que alguma novidade seria anunciada muito em breve. O que de fato aconteceu na quinta-feira, 11 de junho. Pena que o projeto Cinephonia, por mais caprichado e bem-vindo que seja, não é a novidade que muitos aguardam.



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