Maria Alcina dá voz a samba de Baiano & Os Novos Caetanos sobre delação nos anos 1970 | Blog do Mauro Ferreira

Maria Alcina dá voz a samba de Baiano & Os Novos Caetanos sobre delação nos anos 1970 | Blog do Mauro Ferreira

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♪ Em 1974, ano em que a cantora Maria Alcina lançou o segundo álbum, a dupla Baiano & Os Novos Caetanos saltou da tela da TV – onde surgira como atração de Chico City, programa de humor apresentado por Chico Anysio (1931 – 2012) na TV Globo – para o disco.

Formada por Chico Anysio com o ator, cantor e compositor Arnaud Rodrigues (1942 – 2010) para satirizar Caetano Veloso, Gilberto Gil e o grupo Novos Baianos, em deboche extensivo à toda a turma da MPB identificada com os artistas baianos, a dupla emplacou de cara um grande sucesso, Vô batê pá tu, no primeiro dos quatro álbuns que lançou entre 1974 e 1985.

Samba-rock composto com melodia do cantor e compositor Orlandivo (1937 – 2017) e letra de Arnaud Rodrigues, Vô batê pá tu versou com descontração e em tom lúdico sobre delação, tema sério naqueles sombrios anos 1970 em que supostos dedo-duros, como o cantor Wilson Simonal (1938 – 2000), eram inapelavelmente “cancelados” e condenados no tribunal popular. A propósito, a letra de Vô batê pá tu alude ao caso de Simonal sem citar nominalmente o cantor carioca, amigo de Chico Anysio.

Intérprete de canto exuberante, Maria Alcina se conecta com esse sucesso de 1974 – música que, atravessando gerações, ainda anima pistas de dança, inclusive fora do Brasil – e reapresenta Vô batê pá tu em single produzido por Thiago Marques Luiz e programado para ser lançado na sexta-feira, 26 de junho, com capa que expõe arte criada por Leandro Arraes sobre fotos de Murilo Alvesso.

Capa do single ‘Vô batê pá tu’, de Maria Alcina — Foto: Murilo Alvesso com arte de Leandro Arraes

Na gravação de Alcina, arranjada pelo guitarrista Rovilson Pascoal, o samba-rock vira samba de toque nordestino acentuado pelo acordeom de Ricardo Prado. O baixista André Bedurê, o baterista Gustavo Souza e a percussionista Michele Abu também tocaram na regravação de Vô batê pá tu.

Cabe lembrar que quem descobriu a vocação da pegada lúdica de Vô batê pá tu para a pista de dança foi o DJ Zé Pedro. Quando preparava o segundo disco de remixes, Quero dizer a que vim (2005), o DJ reciclou a gravação de 1974 com uma base de drum’n’bass que chamou a atenção de Daniela Mercury quando a cantora ouviu o remix antes mesmo do DJ lançar o CD.

Apostando na batida e na música, a cantora solicitou a Zé Pedro o uso dessa base drum’n’bass do remix do DJ e regravou a composição, turbinando Vô batê pá tu em fonograma incluído no álbum Carnaval eletrônico (2004), gravado por Daniela com a intenção de levar a linguagem da axé music para as pistas de dança e, na rota inversa, trazer os beats para os trios elétricos.

Lançado 30 anos após a gravação original da dupla Baiano & Os Novos Caetanos, o remix de Vô batê pá tu do disco de Daniela Mercury ainda reverbera. Tanto que, em live feita com o DJ Zé Pedro em 19 de maio, a cantora reviveu Vô batê pá tu sobre a base do disco de 2004.

É essa música que, em tempos de delação premiada, Maria Alcina tenta recolocar na pista a partir desta semana com a edição do single Vô batê pá tu.



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