Flavia Wenceslau percorre ‘léguas do coração’ na rota luminosa do álbum ‘A tempo’ | Blog do Mauro Ferreira

Flavia Wenceslau percorre ‘léguas do coração’ na rota luminosa do álbum ‘A tempo’ | Blog do Mauro Ferreira

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Artista: Flavia Wenceslau

Gravadora: Edição independente da artista

♪ O nome de Flavia Wenceslau começou a circular em escala nacional ao longo dos anos 2010, década em que essa cantora e compositora paraibana – residente em Salvador (BA) – teve músicas gravadas pelas cantoras Mariene de Castro, Maria Bethânia e Margareth Menezes.

Espectadores do show Abraçar e agradecer (2015), de Bethânia, perceberam a sensibilidade da obra de Flavia quando a intérprete arrematou o roteiro com a canção Silêncio, eternizada no CD e DVD com o registro ao vivo do espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira de Bethânia. Em tese, aliás, Bethânia apresentará outra música inédita da compositora, Espelho, no álbum que planejara gravar neste ano de 2020.

Possivelmente para manter a primazia de Bethânia, Flavia Wenceslau apresenta dez músicas inéditas no quarto álbum, A tempo, sem incluir Espelho nessa safra autoral.

Lançado em 5 de junho, A tempo é o primeiro álbum da artista em dez anos, o primeiro desde Saia de retalhos (2010), disco em que a compositora apresentou a música Filha do mar, regravada por Mariene de Castro no álbum Tabaroinha (2012).

Entre um álbum e outro, Flavia lançou o single Por uma folha (2017), com bela canção em que reiterou a sensibilidade da obra autoral, e o EP Quem souber (2018).

Gravado sob direção musical de Marano, ex-baixista da curitibana A Banda Mais Bonita da Cidade, o álbum A tempo alinha canções que versam sobre o caminhar humano sob a luz do amor. Ao longo das dez faixas, a artista percorre as “léguas do coração” sobre as quais versa na canção Teu amor.

Situada no início dessa rota amorosa, Estrada de sol sinaliza calor mais pop no cancioneiro da artista, efeito da produção musical e dos arranjos orquestrados por Marano com os músicos Gustavo Schirmer e Thiago Ramalho. Na sequência, Primavera mantém a luminosidade inicial enquanto Muito obrigado segue por caminho mais interiorano, violeiro, explicitando outras belezas do cancioneiro da artista.

Com a grandeza do arranjo épico, Todo coração bate forte no disco, expondo o acerto da escolha de Marano para a direção musical do álbum A tempo. Um dos destaques da (coesa) safra do disco, a canção É assim dá continuidade à caminhada da artista com a sensibilidade e o lirismo da obra autoral de Flavia Wenceslau.

Se a obra é a mesma, o tom é outro e mais exteriorizado. As canções de Flavia soam mais universais no álbum A tempo, ainda que mantendo eventual toque regionalista – sob a ótica de quem vive fora da nação musical nordestina… – como o que dá o tom de Aquarela nossa.

Ronda das estrelas ilumina o toque do bandolim de Fabrício Rios, sobressalente na introdução da música. Já Sangue da terra corre com a voz quente da cantora soteropolitana Márcia Short e pegada percussiva que mostram a influência da vivência baiana na trajetória dessa artista paraibana que está na estrada há mais de 20 anos, tendo lançado em 2005 o primeiro álbum, Agora, ao qual se seguiu, dois anos depois, o álbum Quase primavera (2007).

No arremate do disco, Minha antena retransmite o afeto e o frescor que norteiam a rota luminosa seguida por Flavia Wenceslau no álbum A tempo.



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