Carros de mensagens dos anos 90 voltam às ruas, em embalo nostálgico da quarentena | Pop & Arte

Carros de mensagens dos anos 90 voltam às ruas, em embalo nostálgico da quarentena | Pop & Arte

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“Atenção! Compareça ao carro de som para receber sua mensagem”. A frase saída diretamente dos anos 1990 é capaz de dar calafrios – de emoção ou de vergonha.

Mas é melhor ir se reacostumando. Com abraços suspensos pela pandemia do coronavírus e no embalo nostálgico da quarentena, as homenagens chamativas em carros de mensagens estão de volta.

“Houve um aumento absurdo na procura, cerca de 60%. Acho que só não aumentou mais por causa da crise financeira”, diz Alba Castilho, dona da empresa Alba & Cia, que faz esse serviço no Rio.

Com medo de contaminação, algumas pessoas nem vão até o portão para ouvir a mensagem, conta ela. “Antes, só acontecia isso quando era caso de casal brigado, mensagem de reconciliação.”

Regina Apolinario, dona da empresa Loucura de Amor, de São Paulo, viu um aumento de cerca de 50% no volume de trabalho. E diz que esse tipo de mensagem – com pedidos de desculpas – ainda é um dos carros-chefes do serviço, assim como as homenagens de aniversário.

Profissionais do ramo também repararam numa mudança no perfil do público que busca o serviço.

“Chegou a outras áreas. Antes, eu só fazia para a classe mais pobre. Hoje a procura é na classe média alta para rica. Estou indo a bairros onde nunca fui”, explica Carlos Ferreira, que há 22 anos trabalha com carros de mensagem na empresa Alma Gêmeas, do Distrito Federal.

E, se o produto elitizou, o preço em algumas empresas também. Alba diz que aumentou os valores em cerca de 20% para serviços fora de seu próprio bairro, na Zona Oeste do Rio.

“Quanto mais perto para mim, menor o valor. Mas não vou sair da Zona Oeste para a Zona Sul com o mesmo preço”, justifica. “Além disso, por causa da pandemia, tudo ficou mais claro. As cestas, as flores…”

Além das mensagens, os carros muitas vezes levam buquês, cestas com guloseimas e outros presentes para os destinatários.

Carro de mensagem de empresa que atua em São Paulo — Foto: Divulgação

Em Teresina, Sara Neves, de 23 anos, contratou um carro de mensagens com a família para homenagear (ou envergonhar?) a prima, no aniversário de 17 anos.

“Disse pra ela que o papel da família é fazer ela passar vergonha até a vida adulta”, diz Sara, brincando. “Por ser um serviço que caiu no esquecimento, fica mais emocionante porque a pessoa não espera de jeito nenhum.”

Sara conta que a prima se emocionou com as mensagens enviadas pela família e recebeu aplausos dos vizinhos.

Mas nem toda vizinhança é tão amigável aos carros de som. A atriz Isabella Santoni recebeu uma homenagem do tipo no dia do aniversário de 25 anos, em maio, mas a comemoração acabou em confusão com uma vizinha.

Em um vídeo publicado por Isabella nas redes sociais, é possível ouvir uma mulher reclamando do barulho.

“Quem acompanha meus aniversários sabe que, vira e mexe, dá uma confusãozinha. Acontece, peço desculpas a essa vizinha”, postou a atriz, depois do episódio.

Segundo ela, a homenagem foi feita dentro do horário permitido pela Lei do Silêncio e, antes, os vizinhos foram consultados pela responsável pelo carro de som.

Reginaldo Silva, presidente da Associação Brasileira de Síndicos Profissionais de Condomínios (Abrascond), explica que o horário aceito para esse tipo de barulho em áreas comuns é até as 22h. Mas é preciso estar atento aos limites para não ferir a tranquilidade alheia.

“Sempre tem um vizinho que acaba se sentindo incomodado”, afirma. Para ele, neste momento difícil de pandemia, vale o bom senso para condôminos e síndicos, que lidam com essas situações.

“Se a exceção vira regra, você perde a mão. A pandemia vai passar, e é preciso ter cuidado com as atitudes que tomamos neste período, para não termos problemas depois.”

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